Butantan anuncia investimento de R$ 1,85 bilhão para ampliar, diversificar e modernizar produção de vacinas e soros
Fábricas de vacinas contra HPV, DTPa e soros serão construídas; plataformas de vacina de RNA mensageiro serão ampliadas e modernizadas; evento marcou início de vacinação contra dengue em profissionais de saúde
Reportagem: Marcella Franco
Imagens: Comunicação Butantan
O Instituto Butantan, órgão ligado à Secretaria de Estado da Saúde (SES) de São Paulo, anunciou nesta segunda-feira (9) um pacote de investimentos de R$ 1,85 bilhão para a ampliação e modernização de sua produção de vacinas e soros, que atendem à população brasileira por meio do SUS. As obras serão financiadas por meio de um aporte de aproximadamente R$ 1 bilhão do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do Governo Federal, além de R$ 450 milhões para equipamentos. O Instituto Butantan, por meio da Fundação Butantan, investirá mais R$ 400 milhões nos empreendimentos.

“O Instituto Butantan vem realizando o esforço de trazer tecnologias essenciais para a saúde brasileira”, afirmou o diretor do Instituto Butantan, Esper Kallás, durante evento que tratou dos investimentos e também marcou o início da vacinação contra a dengue com a Butantan-DV, vacina desenvolvida pelo IB para proteger contra os quatro sorotipos da dengue, e a primeira do mundo em dose única.
“Nós temos plena consciência de que o conceito e implementação das vacinas é o maior impacto que a medicina brasileira trouxe para a história da humanidade. As vacinas são uma das principais armas de redução de desigualdade. Elas estão sempre no foco desse instituto e de nossas instituições irmãs do Brasil para atingirmos ou ficarmos muito próximos da autossuficiência tão necessitada aqui no país”, afirmou Esper Kallás.
O anúncio foi realizado em evento que contou com as presenças do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva; do ministro da Saúde, Alexandre Padilha; do vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin; do ministro da Fazenda, Fernando Haddad; do ministro do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, Márcio França; do ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos; do secretário do Estado da Saúde de São Paulo, Eleuses Paiva; do diretor do Instituto Butantan, Esper Kallás; do diretor executivo da Fundação Butantan, Saulo Simoni Nacif; e do superintendente da Fundação Butantan, Marcio Lassance.
O evento marcou a assinatura simbólica para início das obras.“As obras já eram necessárias há bastante tempo, e este investimento deixa claro que a confiança em nosso modelo de gestão, governança e capacidade de execução fez a diferença. Além disso, nossa contraproposta mostra que as colaborações nos níveis estadual e federal seguem como o elemento mais importante para a população que é atendida pelo SUS”, afirma Saulo Simoni Nacif.
“O lançamento das obras do Novo PAC consolida o Butantan como pilar da saúde pública e do SUS. Esse avanço reflete o alinhamento entre os Governos Estadual e Federal e, sobretudo, a dedicação incansável de todos os nossos colaboradores. Seguimos unidos, fortalecendo a ciência e a saúde brasileira”, avalia Marcio Lassance.
Butantan aposta na ampliação e inovação em imunobiológicos
Para Esper Kallás, o empenho dos mais de 4.000 colaboradores do Butantan permitiu à instituição “fazer uma proeza do ano passado para cá”: disponibilizar a vacina contra o vírus sincicial respiratório (VSR), que combate a bronquiolite em bebês, para gestantes; iniciar a vacinação piloto contra a chikungunya em dez cidades brasileiras; e iniciar a vacinação contra dengue no Brasil com a Butantan-DV. Tudo isso sem deixar de manter o oferecimento de soros para o SUS; o desenvolvimento de anticorpos monoclonais que tratam desde doenças autoimunes até câncer, e manter a produção do seu amplo portfólio de vacinas.
O diretor do Instituto ressaltou que o Butantan utilizará os investimentos em projetos de inovação, como o aprimoramento da vacina contra o HPV, visando torná-la nonavalente. “Temos a ambição de ser um dos principais centros de desenvolvimento e produção de tecnologia de RNA, não só para vacinas, mas também para várias outras tecnologias, inclusive para enfrentamento do câncer. E estes recursos vão ajudar”, disse.
O viés tecnológico poderá ainda aprimorar o compromisso da instituição com os seus valores tradicionais, ressaltados nos 125 anos que completa este ano. “O Instituto Butantan é cultura, educação, ciência, divulgação científica, inovação, desenvolvimento e gestão com responsabilidade e transparência. Viva a saúde brasileira, viva a ciência, viva o SUS”, avalia.
Fortalecer o Butantan é fortalecer o Brasil
Em sua primeira visita ao Instituto Butantan, em 2003, Luiz Inácio Lula da Silva foi apresentado ao projeto da fábrica de vacinas de influenza. Nesta segunda (9), o presidente lembrou o trabalho contínuo do Butantan até se tornar fornecedor de 100% das vacinas de gripe do Programa Nacional de Imunizações (PNI).
“Fortalecer o Butantan não é uma decisão econômica para ajudar um estado. Ajudar o Butantan é ajudar 215 milhões de almas que vivem nesse país e que precisam que o estado brasileiro invista”, disse. Lula ressaltou ainda o trabalho incansável do Instituto em combater fake news sobre vacinas e afirmou que este deve ser um trabalho de toda a população.
“Qual é o país que tem a primazia de ter um Instituto Butantan? Por isso, temos a obrigação de não desanimar, de fazer campanha, de falar na escola, até que a gente convença as pessoas de que tomar a vacina significa evitar a possibilidade de que, em algum momento, a natureza possa atrapalhar a vida de uma pessoa”, ressaltou.
Início da vacinação contra dengue em profissionais da saúde
A partir desta segunda (9), começa a vacinação contra a dengue em profissionais de saúde em todo o país. O início da imunização foi marcado pela imunização, realizada durante o evento no Butantan, de duas agentes comunitárias de saúde: Lucimeire Coelho, vacinada pelo ministro Alexandre Padilha; e Francisca de Oliveira que foi vacinada pelo vice-presidente Geraldo Alckmin. Esper Kallas, médico infectologista e um dos pesquisadores principais do estudo clínico de fase 3 que comprovou a eficácia do imunizante, também foi imunizado por Alckmin durante a cerimônia.
Para o secretário de Estado da Saúde, Eleuses Paiva, o início da vacinação dos profissionais de saúde, ressalta que “a vacina de São Paulo, feita pelo Instituto Butantan, é para todos os brasileiros”. “Eu não tenho dúvidas que esse passo que o Butantan dá hoje, que o estado de São Paulo dá hoje, é a grande ferramenta que vamos ter para enfrentar e derrotar definitivamente a dengue no nosso país”, afirmou.
Obras
Uma das obras mais importantes para o SUS é a construção de uma planta para a produção de IFA da vacina tetravalente contra o Papilomavírus Humano (HPV), grupo de mais de 200 tipos de vírus, responsável por causar a infecção sexualmente transmissível mais comum do mundo. O novo prédio viabilizará a produção do IFA diretamente no Instituto Butantan e terá capacidade produtiva para 20 milhões de doses ao ano.
Também será realizada a reforma da unidade de produção e/ou desenvolvimento de plataforma com a tecnologia de RNA mensageiro (mRNA) para produção do IFA de vacinas, que terá capacidade produtiva de 15 milhões de doses, e a construção de uma nova fábrica para produção do IFA para a vacina contra difteria, tétano, pertussis (coqueluche), que permitirá a produção anual de 6 milhões de doses de dTpa - tríplice bacteriana acelular tipo adulto, que protege contra difteria, tétano e coqueluche - e 1 milhão de doses de DT, que previne difteria e tétano, indicada a partir de 7 anos.
O pacote contempla, ainda, a reforma do prédio de produção de soros e criação de uma nova área de envase e liofilização, permitindo dobrar a capacidade produtiva da unidade, que aumentará a produção anual de 600 mil frascos de soro para 1,2 milhão de frascos. Já com a nova área de envase, o Instituto Butantan terá capacidade para envasar anualmente 5,2 milhões de frascos na forma líquida e 7,1 milhões de doses na forma liofilizada, tanto de soros como de vacinas.
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